| Prólogo do livro: O Mistério das Energias da Mente |
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Desde o tempo em que vivíamos nas cavernas, temos desvendado muitos mistérios desafiadores. Certo dia percebemos que o fogo não era uma criatura sobrenatural, depois comprovamos que a chuva e o vento são fenômenos puramente naturais. Descobrimos até que a Terra, apesar de não parecer, era quase redonda. Que sensação maravilhosa devem ter experimentado nossos ancestrais ao desvendarem tantos segredos, depois de longas e árduas labutas, ou até mesmo ao sabor do acaso? O lado não tão empolgante fica por conta das inúmeras passagens em que a opinião vigente discordou da proposta apresentada, adiando por algum tempo o reconhecimento do feito. Aliás, não foram poucos os casos em que os nossos semelhantes inovadores foram até castigados ou reconhecidos tarde demais, pois já não se encontravam no estado de seres viventes. Mas não nos esqueçamos que as teorias, inicialmente bem aceitas e depois rejeitadas, emergiram numa freqüência muito maior. E naturalmente esta quantidade é superada pelas teorias que nasceram e continuaram no descrédito indefinidamente. Mas o espírito latente da descoberta está impregnado de uma carga decididamente positiva: a tentativa de inovar os conceitos até então vigentes. Esse emaranhado de colocações relativas a proposições e contestações demonstram claramente uma coisa: o homem não está satisfeito com o conhecimento que dispõe do próprio eu, da natureza que o cerca e, num sentido mais amplo, do Universo infindável. Quem já não ficou pensativo e até tentou buscar uma resposta original para explicar algum fenômeno corriqueiro, como um simples sonho, ou por que as lágrimas só surgem em determinadas ocasiões, ou ainda, por que aquele nosso amigo tomou aquela atitude tão inesperada e confusa? Decididamente, tanta inquietação tem levado a humanidade a uma constante evolução. De certo modo, uma evolução dirigida, diga-se de passagem, mas inconteste. A impressão que se tem é que os esforços se concentraram muito mais nos campos de conhecimento em que o retorno financeiro ou o maior poder se mostraram evidentes. Nada contra, apenas uma constatação trivial de que somos movidos pela motivação da prosperidade. Prólogo - parte II Numa outra linha de pensamento, mas nos atendo ao aspecto da prosperidade, temos visto que a busca constante por conforto, riqueza e poder, certamente foi o que estimulou o homem desde os primórdios. Mas será que tudo isso nos levou a viver intensamente? Para responder esse questionamento precisamos fazer um outro, ainda mais básico: o que é viver intensamente? Para uns, o que realmente importa é justamente a vida dos prazeres, das emoções fugazes ou da fama. Para outros, é a realização profissional, o reconhecimento público, o alcance do poder, o status. Existem ainda aqueles que encontram a intensidade da vida no seio da família, no bom relacionamento com o próximo, na busca de paz interior. Naturalmente as perspectivas são muitas. Assim sendo, como definir qual delas é a mais adequada? No fundo, no fundo, a gente sabe que não existe uma unanimidade, o que existem são conceitos distintos sobre a mesma questão. Cada um pode dar a sua própria resposta. Entretanto, se formos nos ater a conceitos, vemos que o próprio termo "intenso", que significa forte, profundo, não necessariamente designa aquilo que é bom. Quem só conhece o lado bom não está tendo a experiência completa. Por exemplo, quem só experimentou temperaturas frias, provavelmente tenha a mesma experiência térmica de quem só conheceu o calor intenso. Ou seja, conheceu apenas uma face. Entretanto, a vivência dos extremos nos leva a ter uma concepção mais precisa do todo. De fato, não se tem o discernimento exato de um terreno sem conhecer as suas extremas. Assim, a vida para ser vivida intensamente também necessita da experiência da abstinência, da privação, da dificuldade. Além, é claro, do lado abundante e venturoso o qual já mencionamos. Mas, levando-se em conta tais detalhes, a pergunta que fica é: quem gostaria de viver a vida intensamente? Muito provavelmente, somente aqueles que já conheceram o lado da falta de recursos, pois ainda lhes falta experimentar a fartura. Ou, então, aqueles que só vivenciaram a desgraça, o tormento, a dor, ou seja, o lado ruim. Não é sem propósito que estamos colocando do mesmo lado a falta de recursos e os sentimentos aflitivos. Na prática, nem sempre é isso o que ocorre, ou seja, não necessariamente uma coisa tem relação com outra. Como poderia alguém rico querer passar pela experiência da pobreza? Não teria essa atitude algum embasamento racional, em se tratando da tal busca da intensidade do viver? Teoricamente sim, mas na prática, quem se arriscaria? Prólogo - parte III Neste ponto gostaríamos de chamar a atenção para as palavras abundância e banalidade, pois, apesar de não serem sinônimas, atualmente têm demonstrado uma atração inequívoca. Quando se tem muitas roupas, muitos carros, ou até muitas dívidas, tais coisas acabam se banalizando. Não ver a importância intrínseca das coisas simples pode ser um grande equívoco da nossa existência. Quantas vezes nos arrependemos de não ter dado a devida importância a algo que só valorizamos no momento em que não existe mais? Isso, evidentemente, inclui vidas humanas. A vida, como se fala corriqueiramente, é uma dádiva divina. A beleza que encerra, haja vista o desconhecimento que temos da sua própria natureza, a torna um dos mistérios mais intrigantes do Universo. Apesar de ser bastante comum, a vida possui um valor intrínseco inigualável. Parece que disso temos bastante certeza. Só que facilmente nos desligamos desse fato, pois outras coisas "mais importantes" estão sempre povoando o nosso pensamento. Mas será que realmente são mais importantes? Por falar em pensamento, está aí mais um mistério intransponível, não é mesmo? O cérebro, esta máquina perfeita e ainda indecifrada, enseja sempre um grande enigma. Quando saberemos um pouco mais a seu respeito? Será que os avanços da tecnologia têm realmente contribuído para explicar tão perfeita engrenagem? Mas, como sabemos, as coisas ainda estão no plano físico do funcionamento, ou seja, a ciência ainda procura desvendar que área é acionada quando sentimos determinada emoção, ou qual a parte responsável por um tipo de atividade específica. A constatação de que a ciência, com suas técnicas cada vez mais avançadas, ainda está no plano de descoberta da natureza física ou material do cérebro deixa no ar a seguinte indagação: será que este é o caminho certo? Uma proposição alternativa, buscando novos caminhos para explicar certos dilemas que ainda permanecem obscuros entre nós, é a pretensão deste livro.
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